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FALANDO COM IMAGENS

Em nosso post de CONCENTRAÇÃO http://www.momentopilates.com.br/?p=116 da série sobre os princípios do Pilates, falamos sobre a importância das dicas de imagens para facilitar a execução de um movimento e ajudar os alunos a se concentrarem mais.

Quem nunca se pegou reclamando que o aluno não consegue entender um exercício direito ou  que você pede uma coisa e ele faz outra? Realmente alguns alunos tem um grande problema de percepção corporal e isso deve ser trabalhado.  Para mim, nosso comando verbal é uma poderosa arma para isso, mas devemos utiliza-lo de maneira segura e no momento correto, senão damos um tiro no pé.

Gosto de falar que temos em Pilates dois tipos de linguagem, uma cinesiológica e uma figurativa. Posso pedir um movimento para um aluno descrevendo esse movimento, como por exemplo, “flexione seu tronco, levando as mãos em direção o chão e volte devagar” ou de uma maneira mais figurativa, onde o aluno poderá ter maior percepção do movimento que deverá realizar. “abaixe seu corpo, enrolando sua coluna, começando pela cabeça e volte desenrolando começando pelo quadril, até ficar de pé”. Quando utilizo uma linguagem menos cinesiológica, que não descreve apenas o movimento a ser executado, eu consigo trazer o aluno mais para exercício. Ele consegue perceber melhor o movimento que deve realizar desde o seu inicio e não somente qual o objetivo final. No exemplo acima, o aluno ao receber o comando mais cinesiológico visualiza que sua mão deve chegar ao chão e o faz, seja com o movimento concentrado no quadril ou na coluna. Quando o comando é para enrolar a coluna começando pela cabeça, ele visualiza o movimento desde o inicio, sabendo que o objetivo é levar a mão em direção ao chão.

Hoje vamos trazer mais dicas verbais que podem ser utilizadas durante as aulas de Pilates.

REGULANDO O PADRÃO RESPIRATÓRIO

Quando estamos treinando o padrão respiratório de um aluno, deixando-o mais abdominal.

“o ar entra pelo seu nariz, passa pela base da sua cabeça, desce abrindo suas costelas e chega no seu abdômen”

“existe um balão em seu abdômen, quando você inspira, o balão enche, e quando expira ele esvazia”

“imagine um livro em sua barriga, quando você inspira o livro sobe e quando você expira o livro abaixa” (no inicio, pode orientar o aluno a treinar o padrão em casa com um livro leve no abdômen)

 

 

 

   

 

 

COLUNA NEUTRA

Após posicionar o aluno com a coluna neutra…

Em decúbito dorsal: “imagine que você tem uma borboleta presa em suas costas, se arquear a coluna ela foge e se você achatar a coluna no chão ela morre. Realize o exercício mantendo ela viva.”

Quatro apoios ou de pé: “imagine um cabo de vassouras em suas costas, ele apoia na base da sua cabeça, no meio das suas costas e no seu sacro. Faça o exercício mantendo ele ai” –  Muitas vezes é interessante apoiar um bastão no aluno e deixa-lo realizar o exercício com ele. É uma ótima dica tátil. E aos poucos tire o bastão e peça para ele sentir que o bastão continua ali.

GUIANDO AS MOBILIDADES DE COLUNA

Flexão anterior de pé: “imagine que está encostado em uma parede e desça devagar sem desencostar dela e sem empurra-la”. Nesse caso deixar um rolo atrás da pessoa é uma boa referencia também.

Extensão: “imagine uma bolinha de gude em seu nariz, e comece a empurra-la para frente. O nariz para de empurrar e seu olhar leva ela para frente. Volte trazendo ela com o olhar, até o nariz recoloca-la no lugar”

Ponte: “tem um balde de água na sua pelve, venha virando esse balde e jogando a água no seu peito enquanto eleva o quadril do chão”

   

ALONGAMENTO AXIAL

De pé e agachamentos: “Imagine um fio saindo da sua cabeça, você sobe e desce por esse fio e ele está o tempo todo de puxando para cima”. É uma ótima dica para o aluno que tende a flexionar o tronco durante agachamentos

“quero atingir sempre o ponto mais alto com a cabeça, como se um imã me puxasse para cima o tempo todo”

 “imagine alguém puxando seu pé e sua mão”

 

Só precisamos ter cuidado para não dar muitas dicas ao mesmo tempo. Isso confunde o aluno. Se percebeu que aquela dica não foi adequada para ele, tente mais uma ou duas vezes. Caso não funcione ainda, troque, mas de maneira suave. Peça para ele parar o movimento e inicie um novo comando. Em uma aula, devemos utilizar no máximo dois comando para um mesmo estimulo.

Temos que ter muito cuidado com nossas dicas para não desestimular o aluno. Comumente focamos nossas orientações para a melhora do movimento e deixamos de mostrar para ele os acertos e o que melhorou. Mesmo que a execução não seja a esperada, não deixe de elogiar e utilizar palavras de incentivo. “Nossa, sua execução melhorou muito”, “você não conseguia fazer esse movimento e agora já consegue”, “percebe como isso está ficando mais fácil?” são algumas das maneiras que podemos utilizar quando a execução ainda não é 100% a esperada, mas já houve evolução e assim não desestimulamos nossos alunos.

Agora é usar a criatividade e “desenhar” suas aulas de Pilates.

Até o próximo post!

PRINCÍPIO A PRINCÍPIO – 5 e 6: PRECISÃO E FLUIDEZ

Chegamos ao final da nossa série sobre os princípios do Pilates. Vamos falar nesse post sobre precisão e fluidez junto, pois esses dois princípios tem uma relação muito próxima.

PRECISÃO: Partir da posição inicial e chegar na posição final do exercício pelo caminho determinado, sem improvisos e sem compensações do movimento.

FLUIDEZ: O ritmo deve ser mantido do início ao fim, sem trancos, de maneira suave e natural. Não se pode perceber a vontade do aluno em terminar logo o exercício.

A progressão na sequência correta e no tempo correto é a garantia de um movimento preciso e fluído. Esse esquema abaixo pode guiar para a hora correta de evoluir um exercício ou mostrar se o exercício está acima da capacidade de execução do aluno.

esquema-regressao-prog

É preciso treinar o básico para se alcançar o avançado bem feito.  Muitas vezes é necessário antes de tudo, conscientizar nossos alunos e pacientes sobre essa importância. A ansiedade deles em executar exercícios avançados e malabarísticos pode, por vezes, nos fazer pular etapas importantes para a evolução e alcançar níveis avançados de execução.

“Como posso dificultar esse exercício para esse aluno?”

“Nossa!!!, esse exercício é muito difícil para ele”

Quem nunca se fez esse tipo de pergunta ao dar aulas de Pilates?

Considero dois fatores primordiais para que as aulas de Pilates fluam bem e possamos obter uma boa evolução dos alunos: AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO DE AULAS. É com a avaliação que podemos entender as reais necessidades dos alunos e com as reavaliações periódicas acompanhar sua evolução. Porém de nada vale eu avaliar se eu não utilizo os dados para traçar um programa para meu cliente. É necessário definir metas e direcionar as aulas para suas necessidades e sua capacidade. Em um próximo post vamos falar mais afundo desses dois temas. AGUARDEM!!!!

Mas que relação existe entre avaliação e planejamento  com o tema desse Post? É entendendo as necessidades e capacidades de meu aluno que consigo planejar uma aula dentro de seu limite e garantir que ela não esteja acima ou abaixo do que é capaz de realizar. Dessa forma consigo garantir um movimento mais preciso e fluído.

Podemos pensar em alguns elementos para modificar um exercício e assim regredir ou evoluir ele. Com esse esquema na cabeça, não ficaremos mais perdidos e nos fazendo esse tipo de pergunta (“Como posso dificultar esse exercício para esse aluno?” , “Nossa!!!, esse exercício é muito difícil para ele”)

  • ALAVANCA

Lembrando da física… quanto maior a alavanca, maior a força gerada. E quanto mais distante o centro de massa do eixo fixo, maior a força gerada.

Levando isso para nossa prática, uma alavanca maior exige maior força muscular para estabilizar ou mover o seguimento.

Veja o exemplo abaixo com o exercício HUNDRED.

Posso regredir flexionando o quadril e joelhos, ou evoluir colocando uma bola nos pés para afastar o centro de massa do abdômen e quadril.

alavanca

  • AMPLITUDE DE MOVIMENTO

O simples fato de diminuir ou aumentar a amplitude de um exercício, é uma excelente maneira de facilitar ou dificulta-lo. Observe o exemplo desse abdominal na bola.

 adm

  • ASSISTÊNCIA

Somos privilegiados no Pilates em contar com tantos acessórios e molas. Muitas vezes ele nos auxiliam em exercícios mais difíceis. Nesse exemplo, o Roll down realizado com um theraband passando nos pés auxilia aqueles alunos que não tem força de abdômen  e mobilidade em flexão de coluna para realizar o movimento de maneira fluída.

assistencia

  • BASE DE APOIO

Lembrando da física novamente… quanto maior a base de apoio, maior o equilíbrio de um objeto.

Conforme um aluno vai evoluindo em um determinado exercício, podemos diminuir sua base de apoio para desafiar cada vez mais sua capacidade de estabilização. O inverso também é valido, um aluno com dificuldade de estabilização em um exercício deve ter sua base de apoio aumentada até melhorar a capacidade de se estabilizar na posição, para depois ter a base reduzida novamente.

Acrescentar bases instáveis também é um boa opção para evoluir exercícios.

Nesse exemplo, o Quadrúpede foi regredido para variação só de extensão do membro inferior ou superior. Evoluímos com a execução no Bosu e para o exercício Leg Pull Front, dessa vez, a evolução foi feita mudando o exercício original, mas com o mesmo objetivo.

base-apoio

  • EQUILIBRIO

Sabemos que nada melhor do que desafiar o equilíbrio para melhora-lo. Mas se a exigência for grande demais, podemos estar dando um tiro no pé. O equilíbrio muito desafiado em um exercício faz com que o aluno não execute o movimento de maneira adequada e perde a fluidez e precisão do exercício. Nesses casos, auxiliar o aluno no equilíbrio garante esses dois princípios tão importantes do Pilates.

Nesse exemplo utilizamos um agachamento realizado em uma base mais instável do Bosu para aumentar o desafio e com apoio no rolo para auxiliar quem tem maior dificuldade para equilibrar-se.

equilibrio

Encerramos nossa série dos princípios do Pilates com esse post. Esperamos que tenham gostado e mais do que isso, que esses princípios estejam presentes em nossa prática profissional, que Pilates não seja apenas execução de exercícios em aparelhos de Pilates.