Arquivo da categoria: Fluídez

PRINCÍPIO A PRINCÍPIO – 5 e 6: PRECISÃO E FLUIDEZ

Chegamos ao final da nossa série sobre os princípios do Pilates. Vamos falar nesse post sobre precisão e fluidez junto, pois esses dois princípios tem uma relação muito próxima.

PRECISÃO: Partir da posição inicial e chegar na posição final do exercício pelo caminho determinado, sem improvisos e sem compensações do movimento.

FLUIDEZ: O ritmo deve ser mantido do início ao fim, sem trancos, de maneira suave e natural. Não se pode perceber a vontade do aluno em terminar logo o exercício.

A progressão na sequência correta e no tempo correto é a garantia de um movimento preciso e fluído. Esse esquema abaixo pode guiar para a hora correta de evoluir um exercício ou mostrar se o exercício está acima da capacidade de execução do aluno.

esquema-regressao-prog

É preciso treinar o básico para se alcançar o avançado bem feito.  Muitas vezes é necessário antes de tudo, conscientizar nossos alunos e pacientes sobre essa importância. A ansiedade deles em executar exercícios avançados e malabarísticos pode, por vezes, nos fazer pular etapas importantes para a evolução e alcançar níveis avançados de execução.

“Como posso dificultar esse exercício para esse aluno?”

“Nossa!!!, esse exercício é muito difícil para ele”

Quem nunca se fez esse tipo de pergunta ao dar aulas de Pilates?

Considero dois fatores primordiais para que as aulas de Pilates fluam bem e possamos obter uma boa evolução dos alunos: AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO DE AULAS. É com a avaliação que podemos entender as reais necessidades dos alunos e com as reavaliações periódicas acompanhar sua evolução. Porém de nada vale eu avaliar se eu não utilizo os dados para traçar um programa para meu cliente. É necessário definir metas e direcionar as aulas para suas necessidades e sua capacidade. Em um próximo post vamos falar mais afundo desses dois temas. AGUARDEM!!!!

Mas que relação existe entre avaliação e planejamento  com o tema desse Post? É entendendo as necessidades e capacidades de meu aluno que consigo planejar uma aula dentro de seu limite e garantir que ela não esteja acima ou abaixo do que é capaz de realizar. Dessa forma consigo garantir um movimento mais preciso e fluído.

Podemos pensar em alguns elementos para modificar um exercício e assim regredir ou evoluir ele. Com esse esquema na cabeça, não ficaremos mais perdidos e nos fazendo esse tipo de pergunta (“Como posso dificultar esse exercício para esse aluno?” , “Nossa!!!, esse exercício é muito difícil para ele”)

  • ALAVANCA

Lembrando da física… quanto maior a alavanca, maior a força gerada. E quanto mais distante o centro de massa do eixo fixo, maior a força gerada.

Levando isso para nossa prática, uma alavanca maior exige maior força muscular para estabilizar ou mover o seguimento.

Veja o exemplo abaixo com o exercício HUNDRED.

Posso regredir flexionando o quadril e joelhos, ou evoluir colocando uma bola nos pés para afastar o centro de massa do abdômen e quadril.

alavanca

  • AMPLITUDE DE MOVIMENTO

O simples fato de diminuir ou aumentar a amplitude de um exercício, é uma excelente maneira de facilitar ou dificulta-lo. Observe o exemplo desse abdominal na bola.

 adm

  • ASSISTÊNCIA

Somos privilegiados no Pilates em contar com tantos acessórios e molas. Muitas vezes ele nos auxiliam em exercícios mais difíceis. Nesse exemplo, o Roll down realizado com um theraband passando nos pés auxilia aqueles alunos que não tem força de abdômen  e mobilidade em flexão de coluna para realizar o movimento de maneira fluída.

assistencia

  • BASE DE APOIO

Lembrando da física novamente… quanto maior a base de apoio, maior o equilíbrio de um objeto.

Conforme um aluno vai evoluindo em um determinado exercício, podemos diminuir sua base de apoio para desafiar cada vez mais sua capacidade de estabilização. O inverso também é valido, um aluno com dificuldade de estabilização em um exercício deve ter sua base de apoio aumentada até melhorar a capacidade de se estabilizar na posição, para depois ter a base reduzida novamente.

Acrescentar bases instáveis também é um boa opção para evoluir exercícios.

Nesse exemplo, o Quadrúpede foi regredido para variação só de extensão do membro inferior ou superior. Evoluímos com a execução no Bosu e para o exercício Leg Pull Front, dessa vez, a evolução foi feita mudando o exercício original, mas com o mesmo objetivo.

base-apoio

  • EQUILIBRIO

Sabemos que nada melhor do que desafiar o equilíbrio para melhora-lo. Mas se a exigência for grande demais, podemos estar dando um tiro no pé. O equilíbrio muito desafiado em um exercício faz com que o aluno não execute o movimento de maneira adequada e perde a fluidez e precisão do exercício. Nesses casos, auxiliar o aluno no equilíbrio garante esses dois princípios tão importantes do Pilates.

Nesse exemplo utilizamos um agachamento realizado em uma base mais instável do Bosu para aumentar o desafio e com apoio no rolo para auxiliar quem tem maior dificuldade para equilibrar-se.

equilibrio

Encerramos nossa série dos princípios do Pilates com esse post. Esperamos que tenham gostado e mais do que isso, que esses princípios estejam presentes em nossa prática profissional, que Pilates não seja apenas execução de exercícios em aparelhos de Pilates.