PILATES, UMA TÉCNICA ENVOLVIDA PELA CIÊNCIA.

A comprovação científica que envolve o Pilates.

Será que Joseph Pilates, ao criar o Método Pilates, acreditava que seus exercícios teriam a popularidade dos dias de hoje? Será que ele imaginava que os princípios que ele atribuiu à sua técnica seriam tão atuais até hoje?

Claro que pesquisas surgiram, e a técnica foi refinada com novos conhecimentos, mas toda a essência do método de Joseph Pilates permanece até hoje, e pode ser comprovada cientificamente.

Joseph, que desde a infância sofria com doenças respiratórias crônicas, enfatizava em seus exercícios a importância da respiração. Tinha a respiração adequada como parte integrante do funcionamento do corpo. “Internal shower” (limpeza interna) foi a expressão que ele utilizou para descrever que a respiração promoveria a remoção de gases nocivos a saúde. Joseph dizia: “acima de tudo aprenda a respirar corretamente”; “ar para dentro e ar para fora”; “Expire completamente”.  No Pilates de hoje, a respiração deve ser suave e natural, inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Não se deve fazer força para expirar, e ao inspirar, deve ocorrer maior deslocamento abdominal do que torácico. A maior força na execução de um exercício deve ser realizada durante a expiração.

“Uma boa postura só pode ser efetivamente obtida, quando todo o mecanismo do corpo estiver perfeitamente controlado”, era o que Joseph Pilates falava. Pode-se fazer uma analogia desta frase, com o princípio do Controle de Centro (Power House ou CORE). A região do tronco é responsável pelo controle do resto do corpo. Ao se ativar os músculos do tronco que compõem o nosso centro, leva-se a energia do centro para as extremidades: pernas e braços.

Sabe-se que a respiração e o controle de centro são os principais focos e exigências do Pilates. Sabe-se, também, que o Pilates tem grande aceitação e bons resultados entre pessoas com dor lombar.  Mas existe alguma relação entre estes fatores? A resposta é SIM. Inúmeros estudos provam a importância da respiração na melhora na estabilização da coluna vertebral e consequentemente a redução das dores na coluna.

Pesquisas já mostraram que aproximadamente 90% das lombalgias não têm causa específica evidente. Ou seja, não existe uma lesão identificada, inflamação aguda, fratura, tumor etc. Essas são as chamadas lombalgias inespecíficas, que têm como causa principal alterações mecânicas. O sucesso do tratamento só ocorrerá se estas alterações forem corrigidas.

Para se entender como a musculatura do tronco pode ajudar a controlar o restante do corpo, pode-se fazer uma analogia do nosso tronco com um cilindro. O diafragma, a parte superior do cilindro, e a musculatura do assoalho pélvico, a parte inferior. O cilindro seria contornado pelo músculo transverso abdominal e fechado pela fáscia toraco-lombar e a musculatura dos multífidos. Na anatomia, esta é a musculatura profunda, responsável pela estabilização do tronco e redução das forças compressivas na coluna; ela não gera movimentos do tronco. Algumas pesquisas provam que toda essa musculatura profunda precisa trabalhar de maneira sinérgica, para proporcionar estabilidade à coluna, e é diretamente influenciada pela respiração diafragmática. É durante a fase expiratória, que acontece maior ativação do transverso abdominal e do assoalho pélvico, mas se a expiração for forçada, o transverso abdominal poderá ter sua função comprometida. Outros estudos mostram que a musculatura do transverso abdominal é ativada de maneira mais eficiente, se o assoalho pélvico também for ativado. Ao ativar toda essa musculatura de maneira conjunta, aumenta-se a pressão intra-abdominal, levando à redução de forças compressivas na coluna e ao aumento da estabilidade do tronco. Além disto, pernas e braços estarão inseridos em um local mais estável e, consequentemente se terá movimentos mais harmônicos e maior controle com esses membros.

Se o Pilates, ao trabalhar a respiração e o controle de centro, influencia positivamente na musculatura responsável na estabilização da coluna, e a maioria das dores lombares tem causa mecânica, é essa a explicação do grande sucesso do Pilates, na melhora das dores lombares.

Mas será que o simples fato de se fazer um exercício puxando e soltando o ar, e contraindo o abdômen é o suficiente para melhorar a estabilização da coluna? A resposta agora é NÃO! Já existem evidências de que, para garantir a estabilização da coluna, os exercícios devem ser realizados, respeitando três estágios. Mesmo estes estudos não sendo específicos para o Método Pilates, pode-se levar todo esse conhecimento para as aulas, e assim obter resultados mais rápidos e positivos com os alunos.

Pode-se chamar o primeiro estágio de pré Pilates. É o momento em que serão ensinados ao paciente a respiração diafragmática, o recrutamento do músculo transverso abdominal e a posição neutra da coluna lombar. Isto deve acontecer sempre no primeiro dia de intervenção com no Pilates.

O estágio seguinte é dividido em duas fases. Nele quer-se alcançar o controle da musculatura profunda, durante as posições instáveis e as atividades dinâmicas. Na primeira fase, os exercícios são sem movimento da coluna, mas ocorrem movimentos de membros superiores e inferiores. Aos poucos, a superfície de apoio diminui e fica menos estável, e a carga para braços e pernas pode aumentar. Já na segunda fase, iniciam-se movimentos da coluna, porém em plano simples e com assistência, ou seja, não se associa, por exemplo, rotação com flexão. As molas do Pilates são a melhor maneira de assistência para esses exercícios de mobilidade. Nessa fase, o maior objetivo é ganhar e distribuir mobilidade na coluna com controle. A amplitude dos movimentos pode aumentar, conforme o cliente vai ganhando controle dos movimentos, desafiando cada vez mais a estabilização da coluna.

O terceiro e último estágio dos exercícios para a estabilização é o momento em que as intervenções no Pilates se tornam mais funcionais para as demandas do cliente para as suas atividades de vida diária, trabalho e esportes. Os exercícios são mais desafiantes e com maior exigência de coordenação e equilíbrio. A mobilidade da coluna também é maior, e os exercícios que exigem movimentos da coluna em planos combinados devem ser introduzidos nessa fase.

A maior dúvida é saber durante quanto tempo se deve trabalhar em cada estágio. O único protocolo de tempo que se tem é para o primeiro e segundo estágios. Seriam de quatro a seis semanas educando o padrão respiratório, o recrutamento do transverso abdominal e o controle da coluna neutra. Sabe-se que isso é impossível na prática, mas tem-se que ter em mente este tempo, para se ficar mais atentos e gastar um pouco mais de tempo nas aulas, cobrando esses pontos dos alunos. Já os exercícios sem movimentos da coluna e o início da mobilização do segundo estágio deve durar de dois a quatro meses. No terceiro estágio da estabilização não existe protocolo de duração, é a manutenção e aprimoramento dos outros estágios, com as progressões dos exercícios de Pilates. Tem-se que garantir que o cliente consiga manter o correto alinhamento corporal, a contração adequada da musculatura profunda e o controle da respiração durante os exercícios do estágio em que ele está, para progredi-lo dentro do próprio estágio, ou passá-lo para o estágio seguinte. Dependendo da condição do cliente, um estágio vai durar mais ou menos tempo e a progressão dos exercícios acontecerá de forma mais rápida ou mais lenta. Por isto é tão importante as avaliações periódicas e o feedback que se tem ao longo do acompanhamento para saber o momento de avançar nos estágios. Só assim se atingirá um nível, no qual o cliente consiga o controle da respiração e da musculatura profunda, não somente durante os exercícios do Pilates, mas também nas atividades do dia a dia.

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